Espermograma sem espermatozoides: como TESE e microTESE procuram espermatozoides no testículo e o que a recuperação costuma envolver

O que a TESE e a microTESE fazem, quando a busca cirúrgica de espermatozoides entra na investigação da infertilidade masculina e como costuma ser a recuperação depois do procedimento.

Responsável editorial: Dr. Yuri Lobato, CRM-MG 58550 | RQE 33927 · RQE 44014 · Publicado em 25 Set 2026 · 8 min

Em resumo

TESE e microTESE são cirurgias de recuperação espermática: retiram pequenos fragmentos de tecido do testículo para procurar espermatozoides que possam ser usados em técnicas de reprodução assistida. A microTESE é feita com auxílio de microscópio cirúrgico para escolher áreas com aspecto mais favorável, mas nenhuma das duas abordagens garante que espermatozoides serão encontrados.

Conteúdo educativo e informativo. Ele não substitui consulta médica presencial, não faz diagnóstico e não define tratamento para casos individuais. Cada situação precisa de avaliação presencial, com história clínica e exames completos. Revisão: Dr. Yuri Lobato, CRM-MG 58550, RQE 44014 (Urologia). Andrologia e Medicina Sexual é área de atuação exercida dentro da Urologia.

Receber um espermograma sem espermatozoides, quadro chamado de azoospermia, costuma gerar muitas dúvidas e pouca informação prática. Em parte dos casos, o médico pode investigar se ainda existem espermatozoides sendo produzidos dentro do testículo e se eles podem ser recuperados para uso em técnicas de reprodução assistida. É nesse contexto que entram a TESE e a microTESE, cirurgias que retiram pequenos fragmentos de tecido testicular para procurar essas células. Esta página explica o que diferencia as duas abordagens, o que a avaliação considera antes de indicar a cirurgia, como costuma ser a recuperação e o que a evidência ainda não resolveu.

O que a TESE e a microTESE procuram dentro do testículo

Nos testículos ficam os túbulos seminíferos, onde os espermatozoides são produzidos. Quando a análise do sêmen não encontra espermatozoides, isso pode acontecer por um bloqueio no caminho de saída, chamado de causa obstrutiva, ou por uma falha na produção dentro do testículo, chamada de causa não obstrutiva. Em quadros obstrutivos, é possível que exista produção preservada, mas o espermatozoide não chegue ao ejaculado. Em quadros de produção reduzida, pode haver pequenas áreas do testículo com produção ainda ativa. TESE e microTESE são formas de procurar essas células diretamente no tecido. O objetivo é recuperar espermatozoides para uso em reprodução assistida, em geral com técnicas de injeção intracitoplasmática (ICSI), conforme avaliação do casal.

TESE e microTESE são a mesma cirurgia?

Não são exatamente a mesma coisa. As duas retiram fragmentos de tecido do testículo, mas mudam a forma de escolher onde retirar e quanto tecido é retirado.

  • TESE convencional: o cirurgião retira um ou mais fragmentos de tecido testicular por uma pequena incisão, sem uso rotineiro de aumento óptico significativo para escolher a área de coleta.
  • microTESE: o procedimento é feito com auxílio de microscópio cirúrgico, o que permite ao cirurgião observar os túbulos e escolher áreas com aspecto mais favorável à produção de espermatozoides.
  • Análise imediata: o material retirado é levado ao laboratório, onde um especialista procura espermatozoides enquanto a cirurgia ainda está em andamento.
  • Criopreservação: quando espermatozoides são encontrados, eles podem ser congelados para uso posterior, o que pode evitar uma nova busca cirúrgica em alguns cenários.
  • Em comum: as duas são realizadas em centro cirúrgico, com anestesia e avaliação pré-operatória.

Por que a causa da azoospermia muda a conversa

A chance de encontrar espermatozoides varia bastante conforme a causa. Em quadros obstrutivos, em geral a recuperação tende a ser mais previsível, embora não seja garantida. Em quadros não obstrutivos, a produção pode estar reduzida de forma difusa e o resultado depende do que o tecido ainda consegue produzir. Por isso a investigação antes da cirurgia importa: ela ajuda a separar os cenários e a discutir expectativas de forma realista. Nenhuma técnica consegue assegurar que espermatozoides serão encontrados, e é comum que o plano inclua alternativas caso a busca não tenha sucesso, como uso de sêmen de doador, adoção ou interrupção do tratamento, sempre em decisão conjunta do casal com o médico.

Não há garantia de que espermatozoides serão recuperados em qualquer procedimento de busca testicular, e encontrar espermatozoides na cirurgia não assegura gravidez. O desfecho depende da causa, das características do tecido, da qualidade das células encontradas e do ciclo de reprodução assistida como um todo. O médico avalia cada caso e discute cenários possíveis, sem prometer resultado.

O que a consulta precisa esclarecer antes de indicar

  • História clínica: cirurgias prévias, infecções, uso de medicamentos ou anabolizantes, quimioterapia, criptorquidia na infância e histórico familiar.
  • Exames de sêmen repetidos e bem feitos, com centrifugação, para confirmar a ausência de espermatozoides.
  • Exame físico testicular, com atenção a volume, consistência, presença de varicocele, epidídimo e cordão espermático.
  • Exames hormonais: FSH, LH, testosterona total e outros que o médico julgar necessários.
  • Investigação genética quando indicada, como cariótipo e pesquisa de microdeleções do cromossomo Y.
  • Exames de imagem, como ultrassonografia, quando ajudam a diferenciar obstrução de falha de produção.
  • Conversa sobre o casal: idade da parceira, planejamento familiar, opções de reprodução assistida e o que fazer se a busca não tiver sucesso.

Como a cirurgia costuma ser feita

Em geral, o procedimento é realizado em centro cirúrgico, com anestesia geral, raquidiana ou sedação com bloqueio local, conforme o caso. O testículo é acessado por uma pequena incisão na bolsa escrotal. Na microTESE, o microscópio cirúrgico é usado para examinar a superfície dos túbulos e escolher as áreas de biópsia. O material retirado vai imediatamente para análise no laboratório. O tempo de cirurgia e a quantidade de fragmentos retirados variam conforme a técnica, os achados e a avaliação do cirurgião. O desconforto durante e depois do procedimento varia de pessoa para pessoa, e a equipe usa recursos anestésicos e analgésicos para reduzir o incômodo.

Como costuma ser a recuperação depois da microTESE

A recuperação varia de pessoa para pessoa. A maioria relata desconforto leve a moderado na região operada nos primeiros dias, com melhora progressiva, e é comum haver inchaço e manchas roxas no escroto, que tendem a diminuir com o passar dos dias. Existem orientações que ajudam a reduzir o incômodo e a favorecer a cicatrização.

  • Repouso relativo e suspensão de esforço físico e de relações sexuais por um período orientado pelo cirurgião, que varia conforme a evolução de cada paciente.
  • Uso de roupa íntima de sustentação e compressas frias nos primeiros dias, quando indicado.
  • Analgésicos prescritos, sem automedicação e sem usar medicações por conta própria.
  • Retorno ao trabalho depende da atividade exercida e do desconforto, e atividades de esforço costumam ser liberadas de forma gradual.
  • Retorno ambulatorial e retirada de pontos conforme orientação da equipe, para checar a cicatrização.

O que a evidência ainda não resolveu

A comparação entre as técnicas de recuperação espermática ainda tem limitações. Boa parte dos estudos é observacional, com populações diferentes entre si e critérios de seleção que variam, o que dificulta afirmar qual abordagem é preferível em cada cenário. Não há consenso sobre o papel rotineiro de tratamentos hormonais antes da cirurgia, nem sobre a melhor forma de selecionar quem tem mais probabilidade de ter espermatozoides recuperados. O efeito do achado na chance de nascido vivo depende de fatores do casal e do ciclo de reprodução assistida, e não apenas da cirurgia. Por isso, as decisões costumam ser individualizadas, com o médico avaliando o histórico, os exames, as expectativas do casal e o que ainda depende de mais estudo.


Quando procurar atendimento sem esperar

Alguns sinais na região testicular e escrotal exigem avaliação imediata e não devem aguardar consulta agendada:

  • Dor súbita e muito forte em um dos lados, com enjoo, vômito ou dor na barriga: procure atendimento no mesmo dia.
  • Dor que dura mais de uma hora ou que não melhora em repouso: procure atendimento no mesmo dia.
  • Febre ou calafrios com escroto vermelho ou inchado, ou ardor para urinar: procure atendimento em até 24 horas.
  • Caroço duro, aumento ou mudança de forma ou de tamanho do testículo: procure atendimento em até 24 horas.

Depois de uma TESE ou microTESE, também pedem contato imediato com a equipe ou atendimento de urgência, sem esperar a consulta de retorno: febre, sangramento que não cessa, saída de secreção pela ferida, escroto muito inchado, dor que piora em vez de melhorar e dificuldade para urinar.

Quando a análise do sêmen não encontra espermatozoides, o médico pode considerar uma busca cirúrgica no testículo, como TESE ou microTESE. Essa investigação não substitui a avaliação do casal nem a conversa sobre reprodução assistida, e dependendo do caso, o médico também pode discutir a reversão de vasectomia.

Em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, a avaliação em andrologia e medicina sexual costuma começar por consulta com história completa, exame físico e revisão dos exames já realizados. A partir disso, o médico discute se há indicação de investigação adicional, se a busca cirúrgica de espermatozoides faz sentido no contexto do casal e quais caminhos podem ser considerados se a recuperação não ocorrer.

Leia também: Varicocele e fertilidade: em que situações a cirurgia entra na conversa · Espermograma alterado: o que ele diz e o que ele não diz · Dor no testículo: as causas que pedem avaliação no mesmo dia

Como este conteúdo foi produzido: texto redigido com apoio de inteligência artificial a partir de pauta, fontes e limites definidos pela equipe de Dr. Yuri Lobato (CRM-MG 58550), que responde por ele. Publicado sob responsabilidade editorial do médico; a revisão clínica, quando registrada na plataforma, aparece nesta página com a data.

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Atendo em Belo Horizonte. Avalio cada caso de forma individual, com avaliação urológica e andrológica e foco em resultado real.

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Perguntas frequentes

TESE e microTESE são a mesma cirurgia?

Não são exatamente a mesma coisa. As duas buscam espermatozoides em fragmentos de tecido do testículo, mas a TESE convencional retira amostras sem uso rotineiro de aumento óptico para escolher a área, enquanto a microTESE é feita com microscópio cirúrgico, o que permite ao cirurgião selecionar túbulos com aspecto mais favorável. A escolha depende da causa da azoospermia, dos exames e da avaliação de cada caso pelo médico.

TESE funciona para qualquer causa de azoospermia?

Não. O resultado depende do motivo da ausência de espermatozoides no ejaculado. Em causas obstrutivas, em geral a recuperação tende a ser mais previsível, mas não é garantida. Em causas não obstrutivas, a produção pode estar reduzida de forma difusa e não há como assegurar que espermatozoides serão encontrados. A investigação prévia, o exame físico, os exames hormonais e a avaliação genética ajudam a estimar o cenário, sem promessa de resultado.

Como é a recuperação depois de uma microTESE?

Costuma envolver desconforto leve a moderado nos primeiros dias, além de inchaço e manchas roxas no escroto, que tendem a melhorar com o passar dos dias. O cirurgião orienta repouso relativo, suspensão de esforço físico e de relações sexuais por um período, uso dos analgésicos prescritos e retorno ambulatorial para checar a cicatrização. O desconforto e o tempo de retorno às atividades variam de pessoa para pessoa.

Os espermatozoides encontrados podem ser congelados?

Quando são encontrados e têm condições de uso, eles podem ser criopreservados para ciclos futuros de reprodução assistida, o que pode evitar uma nova busca cirúrgica em determinados cenários. O congelamento e o descongelamento podem reduzir a quantidade de células viáveis, e a decisão sobre o uso depende da avaliação do laboratório e do plano de tratamento definido com o casal.

Dr. Yuri Lobato: Formação e Credenciais

Médico urologista e andrologista em Belo Horizonte, atuante como referência em procedimentos íntimos masculinos, com formação nacional e internacional em Urologia, Andrologia e Medicina Sexual. Certificado como UroFill™ Provider em Miami (EUA) e Fellow em Medicina Sexual e Microcirurgia pela Weill Cornell University e pelo Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York.

Formação e atuação

  • Certificação UroFill™ Provider, Miami (EUA)
  • Fellow em Medicina Sexual e Microcirurgia: Weill Cornell University e Memorial Sloan Kettering Cancer Center, Nova York
  • Coordenador do setor de Andrologia e Fertilidade da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU-MG)

Autoria e responsabilidade: o conteúdo desta página é publicado sob responsabilidade editorial do Dr. Yuri Lobato, com as fontes consultadas listadas acima. Quando há revisão clínica registrada, a data aparece no topo da página.

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